O líquido mais precioso deste milênio.

Caixa de texto: O século 21 será marcado por uma verdadeira guerra pelas fontes de água potável no mundo e o Brasil deve exercer papel fundamental - comparado a Arábia Saudita quando o assunto é petróleo - por deter 15% da água doce do planeta e 53% das reservas da América do Sul. Por conta disso, o País será alvo cada vez mais fácil de grupos internacionais que, vislumbrando o futuro, já começaram a se articular com o objetivo de controlar a captação, produção e distribuição de água. O alerta vem sendo feito nos últimos anos por ambientalistas, entidades e associações contrárias à privatização.
A possibilidade de que a disputa pelo controle dos recursos hidrícos aconteça foi discutida em junho de 1996 por especialistas reunidos em Istambul durante uma conferência. Dois anos mais tarde, o assunto ganhou destaque outra vez na Conferência Internacional sobre Água e Desenvolvimento Sustentável e, desde então, não foi esquecido. A Organização das Nações Unidas (ONU) também já demonstra sua preocupação e calcula que até 2025 a escassez de recursos hídricos comprometa, pelo menos, 50 países.
Em nações como a Tunísia, Israel, Jordânia, Líbia, Malta e Territórios Palestinos, a disponibilidade de água atingiu números preocupantes de 500 metros cúbicos per capita anualmente, quando as estimativas indicam a necessidade de 2 mil metros cúbicos para cada ser humano durante o ano. No continente africano, a redução na disponibilidade de água doce chega a 75% e, na América do Sul, a queda é de 73%. No período de 1980 a 1995, a quantidade de água disponível para cada habitante diminuiu 37% e as perspectivas dos especialistas não são otimistas.
Saiba mais
De cada 100 gotas de água no planeta, 97 estão nos oceanos e as outras três se encontram em forma de nuvens, neve, gelo, na superfície da terra e subsolo. É pouca água doce para um planeta cuja população cresce desordenadamente.
O volume total de água na terra é de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água salgada e 47 milhões de quilômetros cúbicos de água doce. Destes, 36,3 milhões estão nas geleiras, 10,5 milhões no subsolo, 169 mil nos lagos e rios e 19 mil na atmosfera. Ou seja, dos 3% 
de água doce, 0,7% é passível de exploração pelo homem.
Somente nos últimos 20 anos a população mundial aumentou em 1,8 bilhão e o contingente de suprimento de água diminuiu um terço no mesmo período. Para sustentar razoavelmente a qualidade de vida é necessária a média de 80 litros/dia por pessoa. Esse consumo varia muito dependendo da disponibilidade de cada país.
Na região Sul, 76,20% da população têm acesso a rede de água e apenas 18,21% têm acesso aos serviços de esgotamento sanitário. No Nordeste, 55,82% não têm acesso a água e apenas 9,04% são servidas com rede de esgoto.
No Brasil, cerca de 90% dos esgotos domésticos e industriais são despejados sem qualquer tratamento nos mananciais de água. Exemplos de irresponsabilidade não faltam: 63% dos depósitos de lixo estão nos rios, lagos e restingas.
Para cada R$ 1,00 investido em saneamento, o governo economizaria (segundo a Organização Mundial da Saúde) R$ 5,00 em gastos com a saúde.
3.240 quilômetros cúbicos são consumidos no mundo em um ano, assim distribuídos
O consumo anual no mundo
70% - agricultura