Derretimento de geleiras é 3 vezes maior que nos anos 80
As geleiras estão derretendo três vezes mais rápido do que na década de 80, de
acordo com dados divulgados pelo Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras,
que é sediado na Suíça.
Os pesquisadores acompanham com atenção uma amostra de 30
geleiras em várias partes do planeta, e atribuem o fenômeno à mudança do clima
da Terra.
"Nós vamos entrar em condições não vistas nos últimos dez mil
anos, e talvez condições que a humanidade jamais experimentou", disse Wilfried
Haeberli, diretor do serviço.
Os dados são divulgados em meio à reunião do Painel
Intergovernamental para Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas
(IPCC, em inglês), reunido desde segunda-feira em Paris.
O painel deverá divulgar, na sexta-feira (2), a sua primeira
avaliação do problema desde 2001, em um documento que, os especialistas
acreditam, terá repercussões políticas e econômicas.
Há divergências, no momento, sobre as previsões a serem
feitas para a elevação do nível do mar.
Mas o IPCC deverá declarar que as mudanças de clima induzidas
pela ação humana estão de fato ocorrendo e é necessário agir em relação a ela.
Sensíveis - Dos elementos geográficos da Terra, as geleiras
são consideradas as mais sensíveis à elevação das temperaturas.
De acordo com o Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras,
o derretimento provocou uma diminuição de espessura da amostra observada de 60 a
70 centimetros, em média, em 2005.
Isto representa 1,6 vezes mais do que a média anual durante a
década de 90.
Se a tendência se mantiver, Haeberli acredita que várias
geleiras vão desaparecer em décadas. Elas possuem, normalmente, dezenas de
metros de espessura.
Em 2006, o Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras
previu que os Alpes perderão 75% de suas geleiras durante este século.
O diretor-executivo do Programa Ambiental das Nações Unidas,
Achim Steiner, que trabalha próximo ao serviço, diz que "as geleiras são
importantes fontes para muitos rios de que as pessoas dependem para água para
beber, agricultura e objetivos industriais".
"A descoberta deve fortalecer a determinação de governos de
agirem agora para reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa."
O relatório do IPCC de 2001 prevê que até o fim do
século, as temperaturas deverão subir entre 1,4º C e 5,8º C.
O novo relatório provavelmente vai reduzir a margem de
incerteza, embora não descarte totalmente a possibilidade de aumento da ordem de
5,8º C.
(BBC Brasil/ Estadão Online)
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